{"id":241,"date":"2019-10-16T19:48:49","date_gmt":"2019-10-16T22:48:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.abn.adv.br\/noticiasjuridicas\/?p=241"},"modified":"2019-10-16T19:48:49","modified_gmt":"2019-10-16T22:48:49","slug":"crianca-nascida-de-barriga-de-aluguel-sera-mantida-com-pai-que-a-registrou","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.abn.adv.br\/noticiasjuridicas\/2019\/10\/16\/crianca-nascida-de-barriga-de-aluguel-sera-mantida-com-pai-que-a-registrou\/","title":{"rendered":"Crian\u00e7a nascida de barriga de aluguel ser\u00e1 mantida com pai que a registrou"},"content":{"rendered":"<p>[b]Crian\u00e7a nascida de barriga de aluguel ser\u00e1 mantida com pai que a registrou[\/b] <\/p>\n<p>A crian\u00e7a n\u00e3o pode ser penalizada pelas condutas, mesmo que irregulares, dos pais. Com esse entendimento, o ministro Luis Felipe Salom\u00e3o determinou a ado\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a registrada como filha pelo pai que teria \u201calugado a barriga\u201d da m\u00e3e biol\u00f3gica. <\/p>\n<p>A crian\u00e7a havia sido registrada como filha do \u201cpai de aluguel\u201d e da m\u00e3e biol\u00f3gica, uma prostituta. Desde os sete meses de idade, ela convivia com o pai registral e sua esposa, que n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de engravidar. <\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico paranaense (MPPR) apontou ter havido negocia\u00e7\u00e3o da gravidez aos sete meses de gesta\u00e7\u00e3o e moveu a\u00e7\u00e3o para decretar a perda do poder familiar da m\u00e3e biol\u00f3gica e anular o registro de paternidade. A justi\u00e7a do Paran\u00e1 deu provimento \u00e0 a\u00e7\u00e3o e determinou a busca e apreens\u00e3o da crian\u00e7a menor de cinco anos, que deveria ser levada a abrigo e submetida \u00e0 ado\u00e7\u00e3o regular. <\/p>\n<p>[b]Interesse da crian\u00e7a [\/b]<\/p>\n<p>Para o ministro Salom\u00e3o, a determina\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a paranaense passa longe da principal quest\u00e3o em debate: o melhor interesse da crian\u00e7a. \u201cDe fato, se a crian\u00e7a vem sendo criada com amor e se cabe ao Estado, ao mesmo tempo, assegurar seus direitos, o deferimento da ado\u00e7\u00e3o \u00e9 medida que se imp\u00f5e\u201d, afirmou. <\/p>\n<p>Conforme o ministro, a ado\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as envolve interesses de diversos envolvidos: dos adotantes, da sociedade em geral, do Minist\u00e9rio P\u00fablico, dos menores. Mas como o tema envolve o pr\u00f3prio direito de filia\u00e7\u00e3o, com consequ\u00eancias para toda a vida do indiv\u00edduo, deve prevalecer sempre o interesse do menor. <\/p>\n<p>[b]V\u00ednculo afetivo [\/b]<\/p>\n<p>Ele destacou que a crian\u00e7a vive pacificamente com o pai registral desde os sete meses de vida. Contando agora com quase cinco anos, impedir a ado\u00e7\u00e3o iria retirar dela o direito \u00e0 prote\u00e7\u00e3o integral e \u00e0 conviv\u00eancia familiar. <\/p>\n<p>O ministro Salom\u00e3o afirmou que, caso fosse seguida a decis\u00e3o paranaense, a crian\u00e7a seria retirada do lar onde recebe cuidados do pai registral e esposa e transferida a um abrigo, sem nenhuma garantia de conseguir recoloca\u00e7\u00e3o em uma fam\u00edlia substituta. Al\u00e9m disso, passaria por traumas emocionais decorrentes da ruptura abrupta do v\u00ednculo afetivo j\u00e1 existente. <\/p>\n<p>Ainda conforme o ministro, o tribunal paranaense afastou o v\u00ednculo afetivo apenas porque o tempo de conviv\u00eancia seria pequeno, de pouco mais de dois anos \u00e0 \u00e9poca da decis\u00e3o. <\/p>\n<p>[b]Conduta irregular [\/b] <\/p>\n<p>\u201cAinda que toda a conduta do recorrente tenha sido inapropriada, somado ao fato de que caberia a ele se inscrever regularmente nos cadastros de ado\u00e7\u00e3o, nota-se, ainda assim, que tal atitude inadequada do recorrente n\u00e3o pode ter o cond\u00e3o de prejudicar o interesse do menor de maneira t\u00e3o dr\u00e1stica, e nem de longe pode ser comparada com subtra\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as, como apontado pela senten\u00e7a\u201d, ponderou o ministro. <\/p>\n<p>\u201cNa verdade, a quest\u00e3o foi resolvida praticamente com enfoque na conduta dos pais (a m\u00e3e biol\u00f3gica e o pai registral), enquanto o interesse do menor foi visivelmente colocado em segundo plano\u201d, completou. <\/p>\n<p>[b]M\u00e1-f\u00e9[\/b] <\/p>\n<p>De acordo com os depoimentos dos envolvidos, a m\u00e1-f\u00e9 vislumbrada pela Justi\u00e7a do Paran\u00e1 consistiu apenas no pagamento de medicamentos e alugueis pelo pai registral \u00e0 m\u00e3e biol\u00f3gica, que n\u00e3o estava em condi\u00e7\u00f5es de trabalhar. N\u00e3o houve reconhecimento de ajuda financeira direta. <\/p>\n<p>Ele destacou ainda que n\u00e3o se trata de aceitar a \u201cado\u00e7\u00e3o \u00e0 brasileira\u201d, informal, mas de analisar a quest\u00e3o do ponto de vista do interesse real da crian\u00e7a. <\/p>\n<p>A decis\u00e3o do ministro ocorreu em recurso especial do pai, \u00e9 individual e foi tomada na \u00faltima quinta-feira (9), durante o plant\u00e3o judicial. <\/p>\n<p>O n\u00famero deste processo n\u00e3o \u00e9 divulgado em raz\u00e3o de segredo judicial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crian\u00e7a n\u00e3o pode ser penalizada pelas condutas, mesmo que irregulares, dos pais. 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